25ª Jornada 2013/14

Belenenses 1-1 Paços de Ferreira – Anotem isto: o Bebé para o ano estará a representar um dos três grandes em Portugal. Há varios cenários em cima da mesa, mas arrisco que, com o interesse do Man Utd em William Carvalho e Garay, o cenário mais provável será Bebé viajar para Lisboa. Jorge Costa chegou à capital do móvel com o Paços em último lugar, com 13 pontos, a 3 de Belenenses e Olhanense. Saiu da jornada 25 com 23 pontos e com 5 pontos de vantagem sobre estas duas equipas. São 10 pontos conquistados em 5 jogos, com Bebé a marcar 5 golos neste mesmo período e com a equipa praticamente a conquistar a manutenção. Faz-nos pensar como poderia ter sido o campeonato do Paços sem Costinha ou Calisto. Neste jogo o Belenenses tem que agradecer mais uma vez a Matt Jones o pontinho, já que a equipa voltou a produzir zero ou perto disso ofensivamente. Bolas no ferro e grandes defesas impediram o Paços de conseguir aqui um lanche de pastéis digno de um rei. O Belenenses foi toda a época muito dependente do que Miguel Rosa poderia dar à equipa. Neste jogo isso foi novamente evidente. Miguel Rosa passou completamente ao lado da época e a sua batuta não pautou. Nem para afungentar os cães a batuta serviu. Neste jogo praticamente ficou definido quem acompanha Olhanense na descida ao 2º escalão.
Sporting 1-0 Vitória de Guimarães – Bonita iniciativa do Sporting ao colocar nomes de alguns sócios nas camisolas dos jogadores. Espero que a próxima iniciativa seja colocar nomes de antigas glórias. Já estou a imaginar o Mané com medo de centrar para o Nalitzis e o Rojo em pânico ao ver a camisola do Polga ao seu lado. O Slimani é que ficou um bocado confuso com isto das camisolas e por vezes esqueceu-se que é ponta de lança e não actor. Aliás, como actor, parece estar bem lançado para ir fazer companhia aos jovens que passaram pelos Morangos Com Açúcar e que depois caíram no esquecimento. O rapaz não tem mesmo jeito nenhum para simular. É o Slimani sem jeito para simular e o Vitória sem jeito nenhum em 2014. 7 derrotas em 11 jogos e o adeus à Europa, que ainda estava ténue no horizonte até esta jornada. Lembram-se do que lhes aconteceu no mercado de inverno? Pois, explica muita coisa, mas não explica tudo. Uma última nota para o puto Carlos Mané. É uma maravilha vê-lo jogar. Fez gato sapato do pobre Luís Rocha e foi o principal motivo para eu achar que a vitória do Sporting é justa.
Braga 0-1 Benfica – E o Enzo Férias? Espectáculo. Só lhe faltava o côco na mão e a palhinha na boca. Aquilo é que foi controlar as operações ali no meio campo… Com os olhos. Vê lá, Enzo, não te canses muito da vista senão depois tens que começar a usar óculos e é chato. Depois em vez de Enzo Férias passamos a chamar-te Enzo Davids. Habituaste-nos mal. Habituaste-nos a futebol de alta cilindrada. Eu sei que deve ser difícil arrancar com o Ferrari quando ao teu lado tens o carrinho de rolamentos Ruben Micael e a Ape50 da Piaggio Mauro. Mas porra, era preciso jogar parado? Uma das piores exibições da época deu origem a 3 pontos no Estádio Axa, um estádio que tem sido uma dor de cabeça constante para o Benfica. Para isso contribuíram as ausências (principalmente) de Baiano, Joãozinho, Rafa e Alan. Com estes quatro em campo, provavelmente, não veríamos este mesmo Benfica com esta atitude. Um Benfica em gestão não bastaria para vencer esse Braga de que falo. Para este, com o Núrio e o Dabo enganados na modalidade e com o Ruben Micael a bater com a língua no céu da boca e a fazer gdahhhhhhhhh… Para este chegou. O título está ao virar da esquina, mas ainda falta chegar à esquina.
Nacional 2-1 Porto – O Quaresma fuçou tanto, tanto, mas tanto, neste relvado, que nem as toupeiras que vivem debaixo do relvado da Choupana sobreviveram. Aliás, sobreviveram duas, a toupeira Ávalos e a toupeira Patacas. A toupeira Ávalos foi a responsável pelo falhanço do Ali Ghazal na cara do Fabiano, falhanço que poderia ter ditado outro resultado ao intervalo. A toupeira Patacas foi a responsável por atazanar o Quaresma durante toda a 2ª parte. Alguma vez o Quaresma falhava o penalty se não fosse a toupeira Patacas? Nunca na vida. Alguma vez o Quaresma tentava resolver o jogo pelo muay thai se ainda houvesse relva para fuçar? Nunca na vida. Rais parta as toupeiras! O Porto diz aqui adeus a uma entrada directa na Liga dos Campeões e o Nacional diz olá à Liga Europa. O Quaresma, com as suas iniciativas inconsequentes que empancam todo o futebol ofensivo da equipa, provavelmente vai ao Mundial. Levar o Quaresma ao Mundial é como jogar na lotaria. Vai servir para se lançar aos 80 minutos dum jogo que esteja a correr mal. Depois é rezar a todos os santinhos que a magia dos pés dele encaminhe a bola para dentro da baliza. Lá iniciativa ele tem. Falta-lhe é cérebro. Não concordam? Revejam a 1ª parte do Porto na Choupana e vejam a quantidade de opções que o Quaresma tinha em cada lance e como os decidiu.

Arouca 1-0 Vitória de Setúbal – Jogo emocionante do princípio ao fim, onde mais uma vez deu para comprovar as diferenças que existem entre Arouca, Belenenses e Olhanense. O Arouca quando teve que fazer pela vida, fez… Com azar ou sorte, os resultados estão à vista e o mérito vai inteirinho para Pedro Emanuel & sus muchachos. Vocês acham que é pêra doce mas olhem que não é! Se lêem o Ai Vale Bujas já devem saber que neste estádio não há água quente! Neste jogo o Arouca tentou de todas as formas violar a baliza do polaco Kieszek, mas o homem deve pensar que a Polónia vai ao mundial e arrancou mais uma exibição de luxo. Rapaz, acalma-te, a Polónia está fora. Cássio não ficou atrás de Kieszek mas a desinspiração de Rafael Martins ajudou. O Vitória sofreu com a expulsão de Coronas, mas nunca baixou os braços e foi sempre criando oportunidades, estando mais uma vez Tiba e João Mário em enfoque. O jogo foi desbloqueado pelo tunisino Nouioui que é já um Panini para a posteridade na nossa liga! Cabeceamento lindo, à Jardel, de cima para baixo, dizendo que sim com a cabeça. Um sim à glória. Um sim à permanência do Arouca. Um sim para a eternidade. Lassad Nouioui: ícone.

Académica 2-1 Olhanense – Marcos Paulo tem dois amores e não sabe de qual gosta mais. Sabem porquê? Foram os dois de penalty… São iguais! Sérgio Conceição foi anfitrião do Olhanense de Galderisi e podemos afirmar que o jovem treinador já não estava tão perto de Itália desde que, há 10 anos atrás, abandonou a Lazio de Peruzzi, Mihajlovic e Claudio Lopez. Aqui pôde desenferrujar o italiano com Galderisi, Sampirisi, Dionisi e até com Kroldrup, jogador que chegou a ser seu adversário no princípio da década passada, enquanto o dinamarquês espalhava magia na Udinese. A Académica passeou neste jogo, suou apenas quando Fernando Alexandre teve uma rara, sublinhe-se rara, paragem cerebral, coisa que raramente acontece e que podemos garantir em primeira mão que nunca mais acontecerá, porque Fernando Alexandre é perfeito. Fernando Alexandre é o expoente máximo do médio defensivo. Fernando Alexandre é um pastor alemão de pedrigree ímpar. Fernando Alexandre, se fosse um cão, merecia costeleta de vitela todos os dias ao jantar em vez de Pedigree Pal. Tenho que destacar mais uma vez Belec que, com uma defesa de cepos à sua frente, defendeu tudo menos os penaltis de Marcos Paulo. Académica em 6º lugar, feito incrível do Sérgio Conceição. Vai ser difícil alcançar o Nacional mas nada é impossível.

Estoril 0-1 Rio Ave – O Hassan conseguiu apontar o 3º golo em 23 jogos pelo Rio Ave no campeonato. A isto eu chamo um cabo-de-lança e não um ponta-de-lança. A ponta de uma lança, parece que não, mas pode aleijar. O cabo-de-lança é quando o treinador vira a lança ao contrário para dar com o pau nas costas do avançado da sua equipa que não marca golos. Portanto, Hassan, amigo, 3 golinhos, ainda vais a tempo de apanhar o Jackson na lista dos melhores marcadores se agora até ao final do campeonato fizeres em todos os jogos pokers de golos. Nós acreditamos em ti. O Sporting também acredita… A não ser que o Rio Ave jogue outra vez com o Roderick a titular, contra o Benfica. Se jogar, nem 4 golos vão chegar para o Rio Ave vencer, porque o mais certo é o jogo ficar 7-4 para o Benfica, ou algo assim do género. O Estoril só não venceu porque o João Pedro Galvão andou armado em Hassan o jogo todo. Desperdiçou como vocês desperdiçam a alface no MacDonalds. Pensam que eu não vos vejo a tirá-la? Eu vejo tudo. Até um penalty o brasileiro desperdiçou o que equivale a desperdiçar o bife na Portugalia. Aquilo já vem mal amanhado, para passarem fome, imaginem se desperdiçassem o bife. Foi como o Marco Silva se sentiu.

Gil Vicente 1-1 Marítimo – Jogo caricato entre duas equipas já sem grande coisa para fazer nesta liga. A única coisa que surpreende neste jogo é o resultado. Entre estas duas defesas sempre pensei que o jogo acabasse para aí 25-21, estilo um set no voleibol. Quem também pensou que isto era voleibol foi o Danielson que andou a brincar às manchetes com o seu amigo Halisson. Com Bauer, Rozário e Olim, a sitcom estava garantida, mesmo assim foi preciso esperar até à 2ª parte para ver o camião TIR Márcio Rozário atropelar o Hugo Vieira na passadeira para a baliza. Márcio Rozário foi expulso pelo senhor polícia (vejam se prendem o homem, por favor) mas o Hugo Vieira tratou de meter a bola em órbita, numa bela imitação do célebre penalty do Sergio Ramos. Foi com uma batatinha de Diogo Viana que se fixou o resultado final, sendo que depois do golo o Gil Vicente foi incapaz de voltar a bater a patética defesa insular.  Mau demais.

Fernando na selecção? NÃO!

Ponto prévio: a selecção poderia alinhar com 11 Pepes (odeio o Pepe) que eu continuaria a gritar golo da selecção.  Admito que não grito golo de Portugal da mesma forma que grito um golo do Benfica. Não consigo explicar porquê. Apenas é assim que acontece.

Surgiram ontem notícias sobre a chamada de Fernando à selecção nacional para representar Portugal no Mundial. Confesso que fico incrédulo com tudo isto.

Em primeiro lugar – e mais importante que tudo – há que ponderar os motivos que fizeram Paulo Bento mudar de ideias. Sim, mudar de ideias. Em Março de 2011 Paulo Bento dizia, no Pontapé de Saída na RTPN, “Por minha opção, mais nenhum novo jogador naturalizado será chamado para a seleção. Não convocarei novos naturalizados”.

Para começarmos a ponderar sobre os motivos convém relembrar quem é o presidente da FPF. Quem é Fernando Gomes? Quem é o Nandinho das facturas?

Em Janeiro deste ano Fernando era um jogador insatisfeito e em final de contrato. Tudo apontava para um transferência para o Manchester City por valores muito abaixo da cláusula ou, caso contrário, o normal seria Fernando sair no final da época, a custo zero, para um clube qualquer. Seria normal se esta situação ocorresse num clube normal. Mas o Porto não é um clube normal. Pinto da Costa conseguiu não só segurar Fernando até ao final da época como renovar até 2017. Surreal? Não! Que ideia!

Então o que terá feito Paulo Bento mudar de ideias quanto aos naturalizados? Terá sido a questão desportiva? Terá sido o enorme valor desportivo que Fernando acrescenta à selecção? Fernando é inquestionavelmente um grande jogador mas… Então e o William Carvalho?

A questão Fernando na selecção poderia ter passado debaixo do radar não fosse a época que William Carvalho está a fazer ao serviço do Sporting. William Carvalho é neste momento aquele que deveria ser assumido, sem medos, como titular da selecção. Se não existissem fantochadas e se não existissem marionetas – empresários, dirigentes e uma FPF repleta de corruptos – William seria o titular e Miguel Veloso o suplente. Ponto final parágrafo.

E porquê parágrafo? Será que não fica já arrumada a questão desportiva da coisa? Será que William Carvalho não esgota todos os argumentos que poderiam levar ou não Fernando ao Brasil? Não, não esgota. São ambos enormes jogadores mas a questão que na minha opinião arruma mesmo com a desculpa esfarrapada do valor desportivo é, sem sombra de dúvidas, Lima.

Eu sou contra a chamada de Fernando à selecção. Também sou contra a chamada de Lima à selecção. Mas… Se Fernando vai para jogar na posição 6, então porque raio é que o Lima, numa selecção que tem convocado o Edinho, não conta para a posição 9? Não cheira a esturro? A mim cheira. Cheira-me muito a queimado nesta selecção. Com Postiga completamente fora de forma e praticamente sem jogos em 2014, com Eder lesionado e Nelson Oliveira oscilando imenso em toda a época, será que a posição mais deficitária não será a de ponta de lança? Porque será que Fernando é urgente e Lima não? Será Fernando uma prioridade na selecção? A resposta é óbvia tendo em conta tudo o que é ponderável.

Em último lugar há a salientar que Fernando já representou a selecção sub-20 do Brasil, tendo inclusive ganho o campeonato sub-20 sul-americano. Neste torneio ele agrediu um árbitro, agressão que lhe valeu 1 ano de suspensão e a exclusão até hoje de todas as selecções canarinhas.

Mas para desanuviar e continuando no tema do Mundial 2014…

Ouvi hoje no telejornal da RTP que os árbitros vão utilizar uma inovação tecnológica (!!!) nos jogos! Um spray para auxiliar na marcação de livres (!!!)

Apresentamos aqui, em primeira mão, esta tremenda… “inovação”

 

Meia Final Taça de Portugal 2013/14

Porto 1-0 Benfica – Muita sorte para o Benfica que podia ter saído do Porto completamente chamuscado e depenado pelo fogo do dragão. O domínio inicial do Porto era expectável tendo em conta a equipa que o Benfica apresentou em campo. Salvio e Cardozo, jogadores completamente fora de forma, deixaram o meio campo e a lateral direita a descoberto. As máquinas Defour e Herrera apresentavam alta cilindrada e asfixiavam o Benfica quando este tentava sair organizado. O Porto podia ter ditado a sentença desta meia-final na primeira meia-hora de jogo, mas depois apareceu um Benfica nascido nos pés de Amorim e Fejsa, jogadores que demoraram a entrar no jogo mas que foram a garantia de que teríamos segunda mão (com muita sorte à mistura). O ataque não funcionava. A genica de Rodrigo esbarrava em dois extremos fora do jogo. Sulejmani parecia o Capel. Cornos no chão, mochila às costas e aí vai ele. Olhar antes de cruzar é mentira. Salvio está a percorrer um caminho difícil de percorrer até voltar a ter a confiança e pujança que tinha antes da lesão. Cardozo, também ele com pouco ritmo, pareceu-me um jogador mal escolhido para esta partida. O Benfica precisava de trabalho e Cardozo não pode dar isso à equipa. Claro que se os 10 funcionassem, Cardozo também poderia tentar fazer o que sabe fazer melhor: metê-la dentro da baliza. Mas os outros 10 não funcionaram na maior parte do tempo, principalmente os que mais directamente afectavam o rendimento do ponta-de-lança. O Porto dominou a 1ª parte e Jesus não aproveitou a sorte que teve para fazer as mexidas necessárias. O Benfica podia ter aproveitado as carências físicas de Mangala e Jackson, num Porto que acusou cedo no jogo a entrada inicial furiosa. Mas Jesus mexeu tarde e mal na equipa. Jesus errou, a meu ver, tanto na escolha do onze inicial quanto na gestão dos momentos do jogo. Só com muito azar, o Porto, através de Jackson (que regressou desta forma às grandes exibições), não sentenciou a meia-final na 2ª parte. Uma 2ª parte que mesmo assim teve maior domínio do Benfica, domínio esse que não se traduziu em futebol bonito ou grandes ocasiões de golo. Na 2ª mão parece-me que a pintura do jogo será completamente diferente… Veremos se será suficiente para virar. Para já, o Porto merece estar na final, pelo que fez neste jogo. O Benfica tem agora no Domingo um teste duro. Um teste à paciência dos seus adeptos. Um teste aos nervos, ao psicológico, um teste que pode ditar o chumbo ou a passagem para os títulos.

Braga 0-0 Rio Ave – Mais uma gigante exibição de Marcelo, jogador que já tinha dado nas vistas no fim de semana passado. Foi um jogo muito intenso, com as equipas a jogarem o seu futuro europeu, mas com o Braga muito desinspirado no ataque e muito refém das ideias e investidas do Pardo. Como sempre, tem sido o Pardo a levar a equipa às costas. Alan parece não estar bem fisicamente mas mesmo assim acho que é sempre preferível um Alan lesionado a um Piqueti a 100%… Digo eu… Paixão de certeza que diz o mesmo tendo em conta o que Piqueti e Moreno fizeram na 2ª parte. O Rio Ave tem agora a decisão no seu estádio. Saiu ileso da pedreira e agora vai tentar resolver na ventania dos Arcos. O sacríficio que os jogadores fizeram é de louvar. Ukra mostrou enorme garra, Filipe Augusto e Tarantini foram os operários deste empate que até poderia ter dado em vitória, não fosse o remate do Pedro Santos ter acabado no poste, mesmo nos últimos instantes da partida.

Prémio Carreira Nº4 – Ahmed Ouattara

Quem viu ontem o Man Utd 0-3 Man City não ficou de certeza indiferente à magia de Yaya Toure. O 3º golo é classe pura.

E se eu vos dissesse que há um (mítico) ex-jogador do Sporting que partilhou balneário com o Yaya Toure? Nada de especial? Ok, talvez não. Mas ele também partilhou balneário com o Kolo Toure, Emannuel Eboue, Romaric, Siaka Tiene e Salomon Kalou! Posso até arriscar que ele praticamente ensinou esta malta a jogar à bola…

Por esta altura, quem conhecer Ahmed Ouattara, já se escangalhou a rir. Pois, de facto, ele não deve ter ensinado muita gente a jogar à bola, dou a mão à palmatória, mas fez uma carreira engraçada para um gajo que hoje em dia podia ser uma espécie de Moussa Gueye ou de Moussa Maazou.

Vamos lá observar a carreira do Ouattara à lupa:

Como já devem ter percebido pela 1ª imagem que coloquei, o Ouattara trabalha nos dias que correm com a federação da Costa do Marfim. Nada mal… Nada mal…

11 Pé de Barrote Nº24

Equipamento, como não podia deixar de ser, em homenagem ao Felgueiras 95/96. Jorge Jesus era o treinador e não conseguiu, por pouco, evitar a descida de divisão. Nesta equipa jogava o Sérgio Conceição, emprestado pelo Porto! Outros craques a destacar, na defesa por exemplo, Rui Gregório, Abel Silva (campeão 93/94 no SLB) ou Leal (ex-SCP e Estrela). No meio campo o australiano Bozinov, o Amaral (ex-SCP e SLB, aquele que marcou o golo ao Vítor Baía na época anterior, golo anulado por fora de jogo posicional na sequência dum remate fora da área) e o Sérgio Conceição, claro! No ataque recordo-me bem do enorme Leonson Lewis que fez carreira no nosso país e cujo único golo que marcou ao Benfica foi apontado precisamente neste Felgueiras, na vitória do Benfica por 2-1 com golos do Edgar e Ricardo Gomes.

24ª Jornada 2013/14

Rio Ave 1-1 Braga – Este foi aquele dia em que o Nuno André Coelho parecia o Fernando Couto e o Marcelo do Rio Ave parecia o Mozer, sem cotoveladas mas com alguns golpes dignos do Karate Kid. Não, eles não se largaram à porrada, fizeram, isso sim, cortes mais difíceis que apanhar moscas com pauzinhos. Não acreditam? Vejam o lance em que o Joeano, sem o Eduardo na baliza e só com o Nuno André Coelho pela frente, chuta para uma defesa do outro mundo, sabe-se lá com que membro do corpo, do jovem centralão. Boa 1ª parte do Braga e boa 2ª parte do Rio Ave. Sinal mais para o Diego Lopes que tem muito futebol nos pés. O Paixão, sem Alan, sofreu a bom sofrer. Não tem banco e teve dificuldades para montar o 11, jogando com 4 médios centro de início. A Europa continua perto porque está instalada uma mini-crise em todas as equipas a lutar pela 5ª vaga de acesso. 
Vitória de Guimarães 0-0 Gil Vicente – Assistimos provavelmente à melhor exibição de um guarda-redes em toda a época. O que Adriano Facchini fez neste jogo é motivo para chamar os X-Files ao Minho. Tenho a certeza que o Fox Mulder iria ter uma explicação plausível para tanto lance do paranormal. Nós já nos tínhamos habituado a anormalidades com as exibições de Luan ao serviço do Gil Vicente, agora vamos ter que gramar com Adriano Fachini a brincar com leis da física, química e sabe-se lá que mais. Será que o Luan estava na bancada com o tabuleiro de Ouija a fazer maldades ao Vitória? Como é possível, não, a sério, vejam bem, como é possível a defesa que Adriano faz em cima do apito para o final do jogo? Vão a correr ver (pelo menos) o resumo deste jogo. Eu sei que é um 0-0 mas este 0-0 foi tudo menos enfadonho! Vejam, por favor, para terem uma ideia da exibição de Adriano Facchini! Não consigo criticar a exibição do Vitória. Fizeram tudo para conseguir os 3 pontos, a equipa melhorou com o regresso do Tomané mas, simplesmente, Adriano não deixou.
Marítimo 1-3 Sporting – Vocês lembram-se do Cristiano que jogou no Beira-Mar e no Benfica? Sim, o defesa que não era carne nem peixe, que jogava mal tanto a lateral esquerdo quanto a central. Sabem onde ele joga hoje em dia? Se não sabem é porque não lêem a minha secção “Meanwhile In…”. Adiante. Sabem porque falei no Cristiano? É que pensei muitas vezes durante este jogo no que está o Márcio Rozário a fazer em Portugal com tantos clubes nesses Azerbeijões, Turquemenistões, Uzbequistões, a precisarem de brasileirada no futebol como de água no deserto. A defesa do Marítimo está para o futebol como um prato de grelos ensopados em azeite está para um gajo que há meia hora atrás foi ao Mac Donalds mamar um Big Tasty. Acho até que se o Nesta ou o Maldini vissem o Bauer e o Márcio Rozário a jogar à bola, a reacção normal deles seria espetar garfos nos olhos. O Sporting não se livrou de uns quantos calafrios neste jogo. O controlo do encontro nunca foi assumido e a equipa esteve exposta às loucuras de Derley durante a maioria da 2ª parte. Que o diga o Maurício que depois de ter perdido o fígado na noite do Porto, neste jogo perdeu os rins, depois de uma revienga cruel do ponta de lança marítimista que deixou o central prostrado no chão. O golo que mata o encontro é uma excelente movimentação da equipa leonina, que acaba com o Jefferson de passadeira estendida a fulminar as redes do Salin. Não te incomodes com isso, Bauer, defender é muito overrated. O Sporting mantém o Porto à distância e mantém pressão no Benfica. O Marítimo perde uma oportunidade de ouro de se aproximar do Nacional. 
Olhanense 1-1 Nacional – Aos poucos a imensa luz proveniente da galáxia de Olhão vai-se apagando. Um após outro, pequenos pontinhos se apagam no céu, deixando só poeira cósmica para trás. As últimas estrelas resistentes são Belec e Dionisi. Um defende tudo o que há para defender e deixará saudades. Um dos melhores guarda-redes a passar pelo nosso país na última década, confirmou que a Eslovénia tem uma linhagem de jovens guarda-redes com tremendo potencial e qualidade. O outro, um avançado guerreiro, que merecia mais anos na nossa liga. Deixarão saudades. O Nacional fez o que lhe competia e com o Ali Ghazal em campo continuaram neste encontro o que tinham feito ao Benfica nos primeiros 15 minutos: seguraram o adversário pelos colarinhos e porrada de meia noite. Bom futebol do Nacional, principalmente na 2ª parte com Rondon em destaque, mas Belec aguentou todos os socos mesmo sem defesa à sua frente. Graças aos resultados dos adversários o 5º lugar do Nacional permanece sem ser beliscado. Já o Olhanense tem que começar a fazer contas à vida. Os investidores vão saltar ou ficar?

Paços de Ferreira 3-1 Arouca – Os adeptos do Paços continuam a chamar-lhe Bebé mas o que é certo é que o Bebé fez-se homem e conseguiu praticamente garantir a manutenção ao seu clube. Ele e Del Valle instalaram o cocó na defesa do Arouca e não houve fraldas que aguentassem! Foi uma exibição memorável, um tremendo descarregar de feijoada, chili e enchidos na sanita do Arouca. Trovoadas de futebol que Cássio, impotente, foi incapaz de escoar. Golos lindos, bom futebol ofensivo de parte a parte, em equipas treinadas por ex-defesas centrais. Quem vê estas equipas a jogar e vê o Belenenses ou o Olhanense deve concordar que estes dois últimos provavelmente não merecem a 1ª Liga. De qualquer forma o futebol não é feito de justiça e ainda há uns quantos jogos para decidir o destino dos quatro (cada vez mais dois) candidatos à descida. O 3º golo do Paços, se ainda não viram, vejam… É arte pura de Bebé.

Benfica 3-0 Académica – Djavan não tocou. Halliche não lixou. Gueye não fez mousse na baliza do Benfica (genial trocadilho, ele chama-se Moussa Gueye!!!). Magique não fez magia. Só deu Benfica. Na verdade, não foi só Benfica, foi também sitcom na defesa da Académica. Os golos são todos falhas da defesa: o primeiro de Halliche, o segundo de Marcelo e o terceiro é do nosso herói Fernando Alexandre. Às falhas da defesa aliou-se a qualidade tremenda dos executantes do Benfica. Um jogo que poderia ter reflectido outros números se os postes e Ricardo tivessem deixado. Estou muito desiludido com o Fernando Alexandre porque levei uma cartolina a pedir a camisola dele e ele nem para mim olhou. Custava-lhe muito ter subido até ao Piso 3 da Coca Cola para me dar a porcaria da camisola? Obrigadinho, Fernando, hás de cá vir. A Luz registou quase 50mil. Aí estão os adeptos da festa a aparecer. No final do ano se calhar faço um poema para aproveitar a outra metade da cartolina do Fernando Alexandre e escrevo lá: “Os adeptos vieram à festa / porque o Benfica é campeão / resto do ano adeptos na sesta / e nós a ver o Fejsa”. Fraquinho mas passa a mensagem.

Porto 1-0 Belenenses – Lito Vidigal assumiu o comando da equipa do Restelo e como jogo de estreia teve logo uma missão impossível no dragão. Jogou sem pontas de lança – povoou o meio campo retirando Caeiro e pondo Tiago Silva – e rezou para que num contra-ataque ou livre a equipa conseguisse assustar o Porto. Acontece que à falta de imaginação ofensiva dos nortenhos aliou-se também pouca imaginação para cometer erros que pusessem em causa o domínio do jogo. A vitória é completamente justa e peca por escassa. Jackson Martinez atravessa um deserto de golos e com Josué a titular o oásis não aparece no horizonte. Na 2ª parte, com Quintero, a coisa até animou, mas foi preciso tirar o central Reyes para a equipa, já em desespero, chegar à vitória. O Belenenses lutou imenso, defendeu-se com todas as forças, mas a batalha mais importante de toda a época é a do próximo fim de semana, frente ao Paços de Ferreira. O Porto não perde o Sporting de vista mas vai ser complicado recuperar estes 5 pontos de atraso.

Vitória de Setúbal 1-1 Estoril – Épico. Emocionante do primeiro ao último minuto. O bom futebol de ambas as equipas comprovou-se pelo menos enquanto os técnicos não decidiram arruinar o bom que se evidenciava em campo. Do lado do Vitória, o trabalho de Tiba e João Mário merecia outra inspiração de Rafael Martins. O brasileiro fez provavelmente o pior jogo desde que chegou a Portugal. Foi Ricardo Horta quem, com um legume fresquinho para dentro da baliza do Vágner, alimentou o sonho do Vitória em atingir lugares europeus. Sonho esse desfeito por Couceiro – com a entrada de Diogo Rosado em campo -, Kieszek – que mamou um franguito assado – e Rafael Martins. Do lado do Estoril Marco Silva não fez melhor. A equipa batia-se bem apenas com 10 elementos, pela expulsão de Evandro, até que Marco Silva lança Gerso por Balboa. Gerso teve por duas vezes nos pés a vitória. Logo após ao golo do empate, Gerso surge na cara do Kieszek para falhar escandalosamente o 2º. Depois, mesmo sobre os 94 minutos, num lance de 2 para 1, com Bruno Lopes desmarcado ao seu lado, Gerso desperdiçou por burrice, mais uma vez, o tento da vitória. Este jogo merecia mais! Mas foi espectacular!

EUROPA 8ºs de Final 2013/14

Nápoles 2-2 Porto – Pronto, Josué, depois deste jogo já podes tirar a Nossa Senhora que tens no tablier do teu Saxo Cup e estampar lá a foto de São Fabiano, o padroeiro dos porteiros de discoteca. A próxima vez que fores à Via Rápida ver tiroteios dos teus amigos, em vez de rezares a Nossa Senhora para te deixar entrar, rezas antes a São Fabiano. São Fabiano fez a sua primeira aparição num estádio com nome de santo! O San Paolo espantou-se principalmente quando viu São Fabiano a transformar dois defesas centrais que se fartaram de meter água, em vinho do Porto da mais alta qualidade. Este jogo foi todo ele muito religioso. Sabem qual é a parte favorita da missa para o Quaresma? É o dízimo, a família dele nem precisa de pedir às pessoas para sacarem da carteira, está tudo ali à mão. Quem também foi fácil de assaltar foi a defesa do Benitez que me fez acreditar piamente que o Carlos Azenha ainda tem futuro nesta profissão. E agora perguntam vocês: de onde é que vem tanta azia do autor do Ai Vale Bujas? Meus amigos, esta equipazeca do Benitez fez-me perder 60 euros na Betfair. Eu quando vi o 11 do Nápoles disse logo para os meus botões: isto vai ser como limpar o cu a meninos. Agora aqui o menino é que ficou sem dinheiro para comprar papel higiénico para limpar o rabo. Agora como é que o limpo? Se tiverem aí o contrato da CM de Gaia para o centro de treinos do Olival à mão, já sabem, tragam-mo quando o cheiro vos chegar ao nariz.

Benfica 2-2 Tottenham – Chega de conversa de merda, não chega? Vamos falar do campeão dos campeões (ando a passar demasiado tempo a ver o Cota do Bigode, eu sei). Se estão à espera de piadas a gozar com dedos podem fechar a página. Não vão ler nem uma. Ok. Só uma. Das porcas… Estava o Tim Sherwood na cama com o André Vilas Boas, enquanto o Tim Sherwood lia o livro do Mourinho e o André Vilas Boas estava todo nu, com o pipi à mostra, a ouvir Vangelis no ipod. Nisto o Tim não vai de modas e espeta um dedo no pipi do Vilas Boas. O Vilas Boas começava a gostar da brincadeira mas o Tim vai directo ao livro e usa o dedo molhado para virar à próxima página. Claro que o Vilas Boas ficou todo indignado e lhe perguntou “não podias ter usado a língua para molhar o dedo ó cabrão?”. E pronto! Gostaram? Vamos ao jogo! ZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz *ronc* Olha, golo do Tottenham. ZZzzzzzzzzzzzzzz *ronc* Olha, outro golo do Tottenham… Penalty (mas não foi para o Porto). Golo do campeão dos campeões. Tim Sherwood com sorriso amarelo. Fim. 

Meanwhile In… #4

O Meanwhile In… de hoje é dedicado a ex-glórias do futebol português! Vamos fazer uma viagem fantástica pelo mundo. Uma viagem aos confins da terra! Segurem-se!
 
Tailândia – O BEC Tero Sasana do nosso querido Ariza Makukula começou bem a liga e leva 7 pontos conquistados em 3 jogos. A vitória no passado fim de semana não podia ter sido mais saborosa, por 3-2 frente ao campeão Buriram United, numa vitória conquistada graças a uma buja fulminante a mais de 30 metros da baliza dum jogador chamado Peerapat Notechaiya. Ariza Makukula, pela minha pesquisa, ainda não se estreou, mas tem à sua espera na frente de ataque o hondurenho Georgie Welcome. Os objectivos do clube passam pela qualificação para a liga dos campeões da AFC via playoff, tarefa que não se adivinha nada fácil. O nosso blog, no entanto, com Welcome e Makukula, não tem dúvidas em afirmar que o BEC Tero Sasana será campeão. A partir de agora vamos passar a tratar o BEC Tero Sasana por “Becas do Makukula”! Força, Becas!
Singapura O Tampines Rovers foi campeão da S.League 2013 com 3 portugueses (da Gestifute) em destaque: guarda-redes André Martins (ex-SCP), o médio Vítor Ladeiras e o avançado Diogo Caramelo (ex-SLB). A época 2014 não poderia ter começado melhor para o campeão, com 3 vitórias em 3 jogos… Adivinhem quem é o novo astro da equipa, com 4 golos apontados nestes 3 jogos? Milan Mrdakovic! Antigo ponta de lança do Vitória de Guimarães! Este menino promete fulminar as balizas por essa Singapura fora e fazer do Tampines novamente campeão. O clube não está é com muita sorte na AFC esta época, algo que não impede Mrdakovic de violar também na AFC as balizas adversárias. Infelizmente, o golo de Mrdakovic não chegou e a equipa acabou eliminada, no prolongamento, por 2-1, frente ao South China de Hong Kong, no playoff de qualificação para a Liga dos Campeões da AFC. Na “Liga Europa” lá do sítio, a AFC Cup, o Tampines em 2 jogos não conseguiu um único ponto e está neste momento a fazer pela vida. Adivinhem? 77 minutos de jogo e Tampines 3-1 Pune FC (Índia). Adivinhem quem marcou mais 2 golos? Yep. Mrdakovic! O golo do Pune FC foi marcado pelo Mustapha Riga (alguns fanáticos devem lembrar-se desta personagem em terras europeias)


Gabão – As coisas não estão famosas para o AC Bongoville de Henri Antchouet. 11º classificado entre 14, esta modesta equipa luta desde 2011, ano em que subiu à 1ª divisão, para se manter entre os maiores do futebol gabonês. Antchouet até já marcou um golito que daria a vitória ao Bongoville no terreno do Mounana, só que pronto, árbitros ladrões e com medo dos adeptos da casa, anularam o golo ao nosso amigo. Tirando o golo anulado, o Antchouet ainda não marcou qualquer golo na presente época mas, com a ajuda do Diego Zaporo, seu amigo brasileiro com trajecto em Portugal (Vitória Setúbal, Beira-Mar, Olivais e Moscavide, Pinhalnovense e Torreense), temos a certeza que vai fazer as delícias dos habitantes desta cidade no sudeste gabonês. 

Cazaquistão – Se as pessoas só conheciam Astana por ser a antiga ou presente equipa de ciclistas como Sérgio Paulinho, Contador, Vinokourov, Leipheimer ou Nibali, agora, meus amigos, preparem-se, porque está na hora de seguir o trajecto de Cícero em terras de Borat. Eu ainda sou do tempo em que o Dínamo de Moscovo veio a Portugal, cheio de petrodólares e de pau feito, para contratar uma troupe de jogadores e serem campeões da Rússia, Urais, Crimeia e mais além. Nuno, Jorge Ribeiro, Luis Loureiro, Costinha, Maniche, Derlei, Cícero e Danny quase atiravam o Dínamo para a 2ª divisão russa, mas que se lixe, ao menos temos mais uma equipa mítica para recordar até sermos velhinhos, com a malta da sueca lá no bairro. Mas voltando ao Cícero! O Cícero no ano passado foi vice-campeão do Cazaquistão, perdeu o campeonato para o Aktobe e este ano começou a época a ser eliminado nos playoffs da Liga Europa pelo Botev Plovdiv da Bulgária, com uma humilhante goleada por 5-0 em Plovdiv. No campeonato, um 0-0 em casa frente ao Zhetysu (10º classificado em 2013) também não augura nada de bom. Vá lá, Cícero, vamos lá espevitar aí esses borats! Força!


Pontapé Canhão Nº4 – Branco


Branco

 (não dá para ler o nome do jogador porque ele se chama Branco. tcharaaaannnn)
“Ah e tal, o ‘Ai Vale Bujas?’ só fala bem do Benfica, são uns anti-Porto e anti-Sporting, nem falam em bujas de ex/actuais jogadores dos outros grandes, é uma braaaagooonha, rua!”. Isto podia muito bem ser uma queixa de um qualquer utilizador do nosso blog, o que felizmente ainda não aconteceu. Mas, para precaver algo do género, vamos desta feita falar de uma buja temível, das mais temíveis que passaram pelas Antas e pelo nosso campeonato.  Estão a ver como somos boas pessoas? Temos o nosso clube mas, acima de tudo, gostamos é de futebol! Anti-isto e anti-aquilo são outros quinhentos. (“Txi lá estão eles a falar em quinhentos, etc etc”.)
Se eu vos falar de Cláudio Ibrahim Vaz Leal aposto que quase nenhum de vocês saberá de quem falo. Mas se falar em “Branco” provavelmente a geração mais antiga que segue o nosso blog irá imediatamente reconhecer o jogador.
Este defesa esquerdo brasileiro, natural de Begé, começou aos 19 anos a pontificar no “seu” Fluminense, numa defesa comandada por Duílio (que viria para o Sporting em 1985 e teria passagens por Estrela da Amadora, Ovarense e Portimonense) e Ricardo Gomes (que veio para o Benfica em 1988). Num curto espaço de tempo, Branco começa a destacar-se com o seu pontapé esquerdo bastante potente e colocado, motivos mais do que suficientes para conquistar a lateral esquerda do escrete. Télé Santana convoca-o para o seu primeiro Mundial (86, no México), onde se estreia frente à Espanha (vitória por 1-0). No Fluminense conquista um campeonato brasileiro e três campeonatos cariocas.
Após quatro épocas de bom nível, transfere-se para Itália, mais precisamente para o Brescia, um clube bastante modesto para a sua qualidade. Fica duas épocas pelo clube italiano, não tendo grande sucesso e onde se ainda se cruza com o histórico guarda-redes italiano Marchegiani, antes de se transferir para o Porto.
Em Portugal passa apenas três épocas, mas foram suficientes para demonstrar a sua qualidade enquanto exímio marcador de livres, dividindo quase todas as bolas paradas com outro dos pontapés-canhão da equipa azul e branca, Geraldão. Num plantel recheado de glórias do clube (João Pinto, Vítor Baía, Aloísio, André, Domingos, Kostadinov, Jaime Magalhães), 80 jogos e 12 golos depois, Branco leva consigo no bolso uma supertaça e um campeonato, antes de nova aventura no Calcio, desta vez para representar o Génova. Ainda hoje Branco é visto com saudade pelos adeptos do FC Porto que o consideram o melhor lateral esquerdo de sempre a actuar pelos azuis e brancos. Deixou saudades.

Em Génova passa outras três épocas, onde passeia a sua classe, convivendo mais uma vez com nomes históricos do futebol mundial (Panucci, Eranio, Skurhravy, Tacconi, John Van’t Schip, Padovano, Dobrovolski), mas a nível colectivo os títulos não apareciam (apesar do 4º lugar em 91), talvez sendo este um dos factores que o levou a abandonar o futebol europeu tão cedo (1993). Nesta nova passagem por Itália contribuiu com 10 golos em 79 jogos.

No seu regresso ao Brasil não assentou arraiais por mais do que uma época no mesmo clube – Grémio (onde conquista um campeonato gaúcho), Fluminense, Corinthians, Flamengo e Internacional. Tudo isto em duas épocas e meia. É nesta troca constante de clubes que, de repente, aparece o Middlesbrough todo cheio de “ai ui temos dinheiro vamos aqui montar uma equipa cheia de craques do futebol mundial”.

 O brasileiro aceita o convite e passa duas épocas na Premier League, partilhando balneário com consagrados como Juninho Paulista, Emerson (ex-Belenenses e FCP), Ravanelli (cabelinho grisalho), Nick Barmby, Robbie Mustoe , Mikkel Beck, Fjortoft e o actual guarda-redes suplente do Chelsea, Mark Schwarzer. No entanto a experiência corre mal (1ª época terminam em 12º e 2ª época descem mesmo de divisão) e apenas nove jogos depois, Branco volta para o Brasil, para representar o modesto Mogi Mirim. Ainda tem mais uma passagem pelo exterior (New York Red Bulls), antes de terminar a carreira no seu clube de sempre, o Fluminense.

Mas calma! Se pensam que a carreira deste enormíssimo defesa esquerdo se resume a isto estão enganados! Não podia deixar de falar na Copa América que conquistou (1989), nem dos três campeonatos do Mundo em que esteve presente : México 86 (quartos de final), Itália 90 (oitavos de final) e, claro está, no melhor Mundial de sempre, USA 94 (campeão do Mundo).
Branco foi um jogador influente nos três Mundiais, sendo titular indiscutível em todos os jogos do Escrete nos Mundiais de 86 e 90 e fazendo três jogos em 94. É precisamente no seu último Mundial que consegue atingir o ponto mais alto da sua carreira, no jogo contra a Holanda (quartos de final). Aproveitando o castigo a Leonardo, expulso frente aos Estados Unidos no jogo anterior, Branco assume a titularidade para ser decisivo no apuramento para as meias-finais, ao conquistar o livre, que ele próprio cobraria, para um golo inesquecível. Toda a gente se lembra do Romário a desviar-se da bola, com esta a anichar-se junto ao poste esquerdo da baliza do gigante Ed De Goey. 3-2 e o Brasil carimbava passaporte para as meias-finais, onde iria eliminar a Suécia e, na final, derrotaria a Itália na final através de penaltis (mítica a buja, do enorme Roberto Baggio, por cima da trave).
Em 2012 deu início à sua aventura como treinador,  no Figueirense. Passou também pelo Sobradinho e Guarani. Está actualmente desempregado.
Mito urbano: num jogo da selecção brasileira a contar para uma qualquer competição, ou apuramento ou particular, Branco foi à linha para tentar o cruzamento. O problema é que o cruzamento acabou por sair remate e acertou em cheio num repórter fotográfico. Resultado: o repórter perdeu 80% da visão de uma das vistas, houve quem dissesse que até teria ficado cego. Fiz várias pesquisas e não encontrei o referido vídeo, mas recordo-me bem dessa história e talvez até das imagens a dar no Telejornal. Se não quiserem acreditar não acreditem, eu é que sei! Mas “ai ui sempre na tanga”, vejam então a buja com que o jogador escocês MacLeod levou, em pleno Itália 90: 

11 Pé de Barrote Nº23

Um fim de semana onde na generalidade houve bom futebol, bons jogos, mas como sempre há uns quantos meninos a dignificar os cepos do passado que já passaram pela nossa liga…
E por falar em cepos, que dizer do Trofense que levou 7-1 do Moreirense neste fim-de-semana? Grande Trofense! O 11 Pé de Barrote é dedicado à equipa que ganhou 2-0 ao Benfica do Quique Flores, com golos do Helder Barbosa e do Reguila. O guarda-redes do Trofense, nessa partida, era o Paulo Lopes. Jogou também o Delfim (esse mesmo), o Milton do Ó e o Hugo Leal. Grande Quique Flores…