E agora, Selecção Nacional?

Nota prévia: Sempre acreditei nesta selecção e sempre acreditei neste seleccionador.
Porquê? Porque acho que faz sentido o treinador seguir com os jogadores que lhe transmitem mais confiança e que lhe deram alegrias no passado. Se podia ter optado pelos jogadores em melhor forma física ou que melhores épocas fizeram? Claro que podia, é outra abordagem completamente válida. Como o resultado foi negativo, toda a gente acha que a 2ª abordagem é a mais correcta, mas em 2012 a abordagem de Bento não foi má, pois não? Ambas são possíveis, simplesmente desta vez correu mal.
Mas por que raio gosto eu do Paulo Bento? Eu gosto do Paulo Bento porque me parece ser um treinador pouco vulnerável às influências externas de empresários. O Jorge Mendes tem muitos jogadores na selecção porque supostamente é o melhor agente de futebol do Mundo. Não alinho em teorias da conspiração neste capítulo. O Paulo Bento parece-me um treinador forte no capítulo motivacional e que também não é mau a preparar uma equipa do ponto de vista táctico. Visto isto, parece-me reunir condições para ser seleccionador nacional.
Então mas isso quer dizer que eu defendo a continuidade de Paulo Bento na selecção? Não, não quer dizer nada disso. Paulo Bento cometeu erros, cometeu más opções e planeou mal o campeonato do Mundo. Se ele assumiu erros e se assumiu responsabilidades então têm que existir consequências. A consequência não é passar a trabalhar melhor mas sim sair para abrir um novo ciclo fundamental ao desenvolvimento do futebol português. Com ele deve levar Fernando Gomes que também provou que para além de corrupto também é incompetente. Tal como Bento, Gomes também surgiu com a conversa de assumir responsabilidades. Que assumam e saiam.
Claro que nada disto vai acontecer e com muita pena minha vai continuar tudo na mesma.
Então mais afinal o que deveria acontecer?
Primeiro que tudo alterações ao nível da Liga. Os clubes estariam obrigados a usar no mínimo 3 jogadores portugueses no 11 titular. Limitar o nº de extra-comunitários é completamente ridículo neste século, portanto o caminho passa pela obrigatoriedade de incluir 3 portugueses no 11 titular. Isto obrigaria os grandes clubes a terem constantemente 6 ou 7 portugueses nos convocados e uma dezena ou mais no plantel. Se Benfica e Sporting têm academias do melhor que existe no Mundo, então está na hora de as começarem a usar. Os 3 grandes continuam (todos) a agir acima das possibilidades, com passivos monstruosos e obrigados a comprar jogadores por milhões para manter a competitividade bem alta para poderem fazer boas figuras na Europa. Nada contra, isto é tudo na mesma possível de atingir com esses 10 portugueses no plantel e o campeonato português só teria a ganhar com isso. Ao invés de passarem a gastar 3 ou 4 milhões a 10 jogadores cada um, o Benfica passaria a investir se calhar 12 ou 13 milhões em cada um e compraria só 2 ou 3 (não digo mais porque há que contar com ordenados) e no final das contas o 11 titular até poderia ser mais forte do que já é actualmente. Para além de afectar positivamente as contas dos 3 grandes isto beneficiaria também – e muito – os restantes clubes. Olhem para a forma como ambos os Vitórias estão a lutar contra a crise, apostando no jogador português e no jogador da formação, e vejam as épocas que fizeram e os jogadores que venderam e valorizaram (Vezo, Horta, Paulo Oliveira, Tiba, etc). O que é que o Marítimo ganha em ter no plantel um Márcio Rozário ou a Académica um Reiner Ferreira? Esta lei que eu defendo iria ajudar imenso o futebol em Portugal e a curto prazo afectaria positivamente a selecção.
Outra alteração necessária teria que surgir ao nível da selecção. Primeiro que tudo a entrada de novo corpo directivo e com ele a entrada de novo staff. O novo treinador teria que ser experiente e sinceramente agradam-me os nomes de Fernando Santos ou José Peseiro. Depois há que preparar um grupo para o próximo Mundial, começando já na qualificação para o Euro. Esta qualificação promete ser fácil, com 3 equipas por grupo a poderem qualificar-se para a competição (acho que como o grupo de Portugal é de 5 equipas isso não será possível). Portugal tem neste momento uma selecção envelhecida e portanto está na hora de remover alguns jogadores e de incluir novos. Eis o que eu acho que deveria acontecer:
Baliza:
Saídas: Eduardo, Beto
Entradas/ Permanências: Patrício, Anthony Lopes, Ricardo, Bruno Varela
Laterais:
Saídas: João Pereira
Entradas/ Permanências: Coentrão, Sílvio, Antunes, André Almeida, Cedric, João Diogo, Mano, Tiago Gomes, Esgaio, Cancelo
Centrais:
Saídas: Bruno Alves, Pepe, Ricardo Costa
Entradas/ Permanências: Neto, Yohan Tavares, Miguel Rodrigues, Paulo Oliveira, Ilori, Ruben Vezo

6/8/10:
Saídas: Miguel Veloso, Raul Meireles
Entradas/ Permanências: William Carvalho, João Moutinho, Ruben Amorim, Rafa, João Mário, Luís Gustavo, Gonçalo Santos, Pedro Tiba, André Gomes, Adrien, André Martins, Tozé, Sérgio Oliveira, Bernardo Silva, João Teixeira (ambos: Liverpool e Benfica), Marcos Lopes, Bruno Fernandes, Chaby, Tiago Silva
Extremos:
Saídas: Vieirinha, Varela
Entradas/ Permanências: Nani, Pizzi, Bruma, Mané, Salvador Agra, Ivan Cavaleiro, Ricardo Pereira, Ricardo Horta, Iuri Medeiros
Avançados:
Saídas: Hugo Almeida, Helder Postiga
Entradas/ Permanências: Cristiano Ronaldo, Bebé, Ederzito, Nelson Oliveira, Gonçalo Paciência, Gonçalo Guedes, Rafael Lopes, Betinho
Por esta altura já deve o leitor estar a chamar nomes ao autor. Podem chamar-me de Caccioli dos blogs que eu não me importo! Eu explico estas escolhas. Tanta juventude, inexperiência e incertezas para quê? Que altura melhor para potenciar estes jovens, meus amigos? Esta qualificação para o Euro, num grupo com Dinamarca, Albânia, Sérvia e Arménia não é um passeio no parque, é certo, mas é um grupo onde é importante ter jogadores com vontade, algo a provar e, claro, potencial. Para além disto tudo há que dizer que a selecção nacional é uma montra. Um jovem ser internacional por uma das melhores selecções do ranking mundial é um cartão de visita para uma transferência para uma liga maior e para uma nova bagagem. É disto que esta nova geração sub-21 precisa. Os miúdos do Rui Jorge já provaram por diversas vezes que são muito competentes. Olhem para a selecção da Sérvia e vejam que os seus melhores jogadores são também eles jovens de enorme potencial, como Markovic ou Mitrovic. A Dinamarca é uma selecção que está muito longe da capacidade das dos anos 90 e que vai depositar todas as esperanças num grupo de 3 jovens: Fischer (20), Hojbjerg (18!!!) e Eriksen (22). A Arménia, tirando o Mkhitaryan, tem um grupo que mesmo defrontando os nossos sub-21 não seria favorita, assim como a Albânia que, mesmo me parecendo bem orientada, está longe do patamar português. 
Mas será que o 11 base para a qualificação seria assim tão inexperiente? A resposta é clara: não. 
Pensei em algo assim:
Creio que, como podem observar, o grande problema actualmente são os centrais. Todavia não me parece que Bruno Alves ou Ricardo Costa dêem mais garantias do que o Yohan Tavares, por exemplo. Faria sentido continuar a apostar no Pepe mas é um jogador do qual não consigo gostar. Não incluo nomes como os de Josué ou Licá porque sinceramente me parece que vão ver as suas carreiras estagnadas, não lhes reconhecendo potencial para serem jogadores de selecção. Pode ser que me engane mas no caso destes dois acho que não.
Desta selecção sinto que me poderia orgulhar. Sem naturalizados, com produtos das melhores academias do país e, sem qualquer dúvida, com muito talento para trabalhar e melhorar. Esta selecção, sendo bem orientada, reconciliaria o povo com a selecção e conseguiria o apuramento.

Eu acredito no futuro da selecção. E vocês? Acreditam? O que é que mudavam?

MUNDIAL 2014 – Grupo H 3ª Jornada

GRUPO H – 3ª Jornada
Bélgica 1-0 Coreia do Sul – Pobre Coreia do Sul. Esta deve ser a pior selecção coreana de que me irei recordar. Em 1994 recordo Kim Joo Sung (por acaso não me recordo, só me recordo dele na revista TV Guia do Mundial), em 2002 recordo Ahn, em 2006 recordo Chun Su Lee, em 2010 recordo Park Ji Sung ou até Chung Yong Lee que neste Mundial esteve patético (tantas vezes o comprei eu no Football Manager para isto)… Em 2014 fica a memória duma das piores selecções da Copa. É que as Honduras têm o Costly e a sua palhinha e a Austrália tem o Leckie e o Cahill, o que deixa a Coreia numa situação semelhante à da Coreia do Norte em 2010! Está visto que o melhor é fazerem as pazes com os vizinhos do norte e juntarem esforços para voltarem a criar uma Coreia fortona. A Bélgica neste jogo rodou a equipa e, mesmo ficando sem Defour cedo no jogo, nunca deixou o comando das operações. Foi como jogar space invaders, com o Fellaini de joystick na mão e com o Origi a fazer de nave. Que belo ponta de lança tem aqui a Bélgica neste puto de 19 anos do Lille. Cuida-te, Lukaku… 
Argélia 1-1 Rússia – Isto a partir duma certa altura os argelinos já não sabiam se estavam a rezar a Alá, ao deus Zidane ou ao deus tunisino Ziad do Guimarães! Houve alguns que quando se aperceberam que estavam a rezar ao Ziad começaram a chorar. Isto porque odeiam a Tunísia – claro, se são países vizinhos é porque se odeiam. O que os argelinos não sabiam é que o deus Tahar, com pena do Halliche, reencarnou numa toupeira e passou o jogo todo a fazer cócegas ao Kokorin e ao Kerzhakov. A Rússia de Capello está a pagar a factura de ser novo rico e foi ao Mundial fazer um bocado figura de turista. Qual é o problema de ter uma liga rica com clubes bilionários? Os russos cada vez menos querem sair para a Europa. Não falam a língua, não estão habituados e querem ser ricos onde lhes é menos difícil. Hoje em dia não há nenhum Onopko, não há nenhum Karpin, nem Mostovoi, Salenko ou Radchenko. A liga russa não é suficientemente competitiva para dar andamento a estes meninos para irem longe num Mundial. O futebol russo a nível nacional está em crise há muitos anos e nem com o velhinho Capello pago a peso de ouro a coisa mudou. Mas quem diria que seria Slimani, com uma cabeçada depois duma saída cocorococó de Akinfeev, a carimbar o passaporte argelino para os oitavos e terminando com o sonho dos russos fazerem a melhor participação de sempre em décadas? Grande Slimani. Cuida-te, Tanaka, com o Slimani assim nem ficas cá tempo suficiente para aprender a dizer bom dia no Lidl do Alvalade XXI.

MUNDIAL 2014 – Grupo G 3ª Jornada

GRUPO G – 3ª Jornada

Alemanha 1-0 EUA – Andavam as más línguas a dizer que estes meninos iam empatar o jogo de propósito porque o Klinsmann era alemão e grande amigo do Joachim “Gastronomias Nasais” Low, pois bem, enganaram-se e não foi pouco. Quem viu este jogo testemunhou uma verdadeira batalha de xadrez que se calhar nem o Magnus Carlsen desbloqueava. Deixem-me contar-vos o que rabisquei na minha folhinha. A Alemanha jogou de início num 4-3-3 clássico, com os laterais com poucas ordens para avançar no terreno e com Lahm como médio mais recuado, abdicando de Khedira e do tal 4-2-3-1. Os EUA responderam com um 4-5-1 ferrolho, onde os 3 médios do miolo – Beckerman, Jones e Bradley – tentavam impedir o jogo mais vertical alemão, posicionando-se os 3 muito próximos uns dos outros, basculando em conjunto para o lado que tinha a bola. Ora, como os EUA não criavam perigo, Low mandou Howedes e Boateng avançar no terreno já que havia espaço de sobra para explorar nas alas. Sem uma referência forte fisicamente na área, sendo Muller insuficiente e com Besler e Gonzalez muito certinhos nas tarefas defensivas, a Alemanha sofria mas conseguia criar aqui e ali oportunidades para desatar a partida, com Howard a surgir numa forma magnífica no Brasil. A Alemanha só encontrou a ponta do novelo num lance frio de Muller, a dar um destino à bola pelo meio dum emaranhado de pernas americanas e alemãs, na sequência dum canto. Bom jogo, os EUA não mereciam mais do que a derrota.
Gana 1-2 Portugal – O Gana é mais um caso, à semelhança do que aconteceu com os Camarões, que me deixa perplexo. Jogadores a ameaçar greve devido a prémios de jogo. O que aconteceu ao sonho de jogar estas competições? O que aconteceu ao orgulho de representar um país? Ainda por cima jogadores todos eles emigrantes – sempre ouvi dizer que os emigrantes sentem mais a pátria! O Gana, Portugal ou a China são países que merecem ser dignificados e não é por acharmos que o país é mau ou que os políticos são corruptos que passamos a ter um país feio. Sim, um belo país, o nosso país é sempre o mais bonito e a história, por mais sangrenta ou inglória, é uma história para contar sobre o sítio onde nascemos, sobre o primeiro pedaço de terra que pisámos. Jogadores como Muntari que andaram com uma garrafa partida nas mãos a ameaçar cortar dirigentes do Gana só porque ainda não tinha recebido. Jogadores como Boateng que, pelos vistos, insultou o treinador e foi um dos principais responsáveis pelo mau estar no balneário. Jogadores como Cristiano Ronaldo, que deu tudo pela selecção, jogando com dores e tendo que partilhar relvado com o Miguel Veloso, mas que depois aos microfones culpa os colegas pelo insucesso e amua com medo que o critiquem. Seleccionadores como Paulo Bento que assume as responsabilidades do falhanço mas que pelos vistos acha que responsabilidades não vêm com consequências agregadas. É claro que numa balança, as atitudes portugueses são muito menos graves do que as atitudes dos jogadores ganeses. Felizmente a justiça divina do futebol penalizou uma selecção que, se estivesse unida como esteve contra a Alemanha, tinha certamente passado este grupo. O Gana é muito melhor que os EUA e criou muito menos dificuldades a Portugal do que os EUA. Do que falhou em Portugal falarei num post que farei dentro de umas horas/dias/meses/anos. Neste jogo a condição física de Portugal, os laterais e a obrigação de estar balanceado para o ataque colocavam todas as armas nas mãos do Gana, para os africanos jogarem como gostam, explorando a velocidade dos seus avançados e conseguindo provavelmente uma vitória até fácil. Mas aconteceu tudo ao contrário. Foi Portugal, inexplicavelmente, com um meio-campo com 2 jogadores fracos fisicamente (Amorim e Moutinho) que segurou o jogo pelo pulso e que conseguiu oportunidades mais do que suficientes para golear. Se Cristiano Ronaldo estivesse num dia normal e se Eder tivesse comido Chocapic ao pequeno-almoço, Portugal hoje estaria provavelmente a festejar, não por mérito próprio, mas por demérito do Gana e mérito alemão.

MUNDIAL 2014 – Grupo F 3ª Jornada

GRUPO F – 3ª Jornada
Bósnia 3-1 Irão – Ontem fiquei a saber que para alguns media portugueses Pejman Montazeri é o melhor jogador iraniano da actualidade. Curioso, fui investigar… Montazeri é o lateral direito desta equipa e joga no Al-Sailiya do Qatar, uma equipa do meio da tabela que só há poucos anos subiu ao principal escalão do Qatar. Então, que mal tem isso? Nada, nada… Viram o jogo? Viram o rapaz a jogar à bola? O agente dele é português e chama-se Carlos A. Carvalho da CTSSMI… Coincidências! De certeza que é muito melhor que o Dejagah ou do que o Shojaei se a Sport TV o diz. Quanto ao jogo, é complicado para o Irão sair do registo do ferrolho para passar a um registo de ataque continuado. Os golos da Bósnia resultaram todos praticamente de transições rápidas apanhando os iranianos desequilibrados. A selecção de Carlos Queiroz sai do Mundial de cabeça bem erguida mas provou neste jogo que não tem poder de fogo suficiente para estas andanças. 
Argentina 3-2 Nigéria – Tivemos jogo enquanto o Irão deu luta à Bósnia. A notícia do 2-0 bósnio surgiu por volta dos 60 minutos, altura em que Messi é substituído e o jogo entra num pacto de não agressão patético. A Argentina melhorou ligeiramente. Melhorou no comportamento defensivo, jogando na mesma com o bloco bastante avançado mas melhor, sem medo das setas nigerianas e jogando muito bem em antecipação. Melhorou no posicionamento ofensivo, baixando Aguero e deixando Higuain sozinho na área o que fez com que os nigerianos se desposicionassem mais facilmente. Continuo, no entanto, a achar um crime deixar Enzo de fora para apostar em Gago. A Nigéria procurava a mesma abordagem do jogo com a Bósnia e teve nos pés de Musa a felicidade por duas vezes. Os africanos jogaram sempre consoante o que se estava a passar na outra partida e saíram deste jogo felizes com o 2º posto no grupo.

MUNDIAL 2014 – Grupo E 3ª Jornada

 GRUPO E – 3ª Jornada

Honduras 0-3 Suiça – Showqiri. Não há palavras para descrever o que este homem fez neste jogo. Há lembranças que ficam para sempre! Partida muitíssimo animada porque as Honduras queriam demonstrar ao Mundo que não estavam ali para fazer turismo. A postura cínica e calculista dos suiços, no final, deu resultado. Mas poderia ter dado para o torto caso Shaqiri não tivesse bebido da fonte da inspiração dos deuses Chapuisat, Knup e Turkyilmaz… Quando as Honduras criavam perigo aparecia Benaglio e os suiços suspiravam de alívio. Longe está a memória deste monstro das balizas a defender na Choupana, com meia dúzia de peixeiras aos berros a dizer “o Nacional é que é!”. Se o árbitro estivesse pelos ajustes, se calhar os últimos 15 ou 20 minutos teriam sido infernais para os suiços, mas ao invés foram celestiais já que após ao lance do suposto penalty de Djorou apareceu o 3-0 da tranquilidade. A Suiça não me convenceu ainda. Parece frágil.
França 0-0 Equador – Não sei o que foi mais patético. O Mundial que Antonio Valencia fez ou os falhanços da selecção francesa neste jogo. Eu escolho o Mundial de Valencia! Ontem um amigo meu dizia “Valencia expulso: boa! Assim já não compra ninguém ao Benfica!”. Ri-me mas depois fiquei triste. Eu tinha grandes esperanças nesta selecção. Na defesa a viga Erazo e os pujantes Ayovi e Paredes. No meio campo o grande coração de Noboa. Na frente Jefferson Montero e Enner Valencia… Foi tudo pelos ares porque o capitão e principal jogador desta selecção, Antonio Valencia, passou ao lado do jogo, pareceu triste e a acusar o peso da responsabilidade. Pedia-se mais a uma selecção que, precisando de vencer, se conformou com o 0-0 e não partiu para cima dos franceses. Será que ninguém os informou do resultado do jogo da Suiça? Será que não havia vontade de tentar chegar mais longe? É incompreensível ver jogadores que precisam duma vitória, aos 88 minutos de jogo a queimarem tempo num pontapé de baliza… Muito triste este jogo.

MUNDIAL 2014 – Grupo D 3ª Jornada

GRUPO D – 3ª Jornada

Costa Rica 0-0 Inglaterra – A Costa Rica passar este grupo em 1º lugar é algo tremendo. A Costa Rica passar o grupo e poupar Bolaños e Umaña contra  Inglaterra, limitando-se a gerir o jogo e a rir do futebol patético dos ingleses não tem preço. Quando vi o 11 e vi o Ross Barkley, aquele que para mim é o melhor médio inglês da actualidade, tive esperanças numa despedida em grande. Mas o Roy Hodgson estava derrotado e nem se dignou a analisar o futebol praticado pela Costa Rica. A equipa apresentou-se naturalmente desmotivada e Sturridge, dos poucos que tentou salvar a equipa de se afogar ainda mais, não conseguiu concretizar nenhuma das várias oportunidades que teve. Navas foi mais uma vez gigante entre os postes das balizas deste país. Uma triste despedida para Gerrard e Lampard. Tenho pena de ver estes dois monstros abandonar desta forma a selecção.
Itália 0-1 Uruguai – Emoção… Que jogão! Tivemos direito ao menu completo… Só faltou o cafézinho Balotelli que se lesionou e não regressou do intervalo. As equipas encaixaram desde início, jogando no mesmo sistema de 3-5-2 e tornou-se muito complicado para os seus avançados criarem perigo. Cavani e Suárez perceberam que explorando o espaço de Pirlo e Verrati conseguiriam trazer alguma coisa para o jogo e foi por aí que surgiram as poucas chances dos uruguaios. Mas na baliza estava um gigante que fez aqui provavelmente o seu último jogo num mundial: Buffon. Apesar de não se despedir em grande a exibição de Buffon foi muito boa, com algumas defesas fantásticas a parar Suarez. À sua frente os 3 fiéis mosqueteiros juventinos iam garantindo a qualificação à squadra azzurra. Tudo mudou quando o árbitro considerou uma entrada perigosa de Marchisio como sendo uma agressão. O Uruguai ganhou novo ânimo mas nem assim conseguia espartilhar os italianos. Foi pela cabeça de Godin, o herói de Camp Nou, que o Uruguai deitou a mão ao 2º posto do grupo e conseguiu a qualificação. Mas não ficaríamos satisfeitos se não tivessemos um bocadinho também de Suarez… A mordidela ao Chiellini é só mais um momento polaroid para juntar à colecção deste Mundial. Vão ter que desembaraçar mais um bocadinho de fio, daqui a bocado já não têm espaço para tantas fotografias épicas no cordelinho da marquise.

MUNDIAL 2014 – Grupo C 3ª Jornada

GRUPO C – 3ª Jornada
Colômbia 4-1 Japão – Zaccheroni esqueceu a terra de onde veio e em vez duma abordagem italiana ao jogo preferiu enfiar a equipa toda num avião kamikaze. Com 4 avançados com poucas ou nenhumas obrigações defensivas, sem critério na pressão e que afunilavam o jogo todo pelo corredor central, entregando o jogo aos laterais Nagatomo e Uchida, o Japão convidava a Colômbia a golear. Ainda por cima Pekerman deixou neste jogo Teofilo Gutierrez no banco e deu a titularidade a Jackson Martinez, transformando a sua Colômbia numa máquina ainda mais letal. Fez descansar 8 jogadores e a equipa não perdeu coesão. Com Hasebe e Aoyama mortos, formando eles a única barreira que o Japão possuía entre o ataque e a defesa e com James Rodriguez no lugar de Quintero, a coisa descambou. A Colômbia ganhou critério e objectividade e goleou pelos pés da principal figura do Grupo C: James Rodriguez. Um verdadeiro regalo para os olhos. Faz tudo bem. 
Costa do Marfim 1-2 Grécia – Mais um jogo épico a juntar à lista. Foi complicado acompanhar estes dois jogos ao mesmo tempo! A Grécia qualifica-se um bocado sem saber ler nem escrever pelos pés de Samaras e Samaris. Na primeira parte foi o médio centro do Olympiakos a aproveitar um mau passe para surgir na cara de Boubacar Barry. A Costa do Marfim, que passou a 1ª parte toda na expectativa, foi obrigada a correr atrás do prejuízo, mas Kalou e Gervinho estavam num dia péssimo. Enquanto a Costa do Marfim esbarrava na última linha grega, a Grécia ia tentando bujas de longe pelos pés de Karagounis ou Lazaros Christodoloupoulos (escrevi sem ir ver, inchem), acertando inclusive com algumas no ferro. Barry esse, já almoçava… Quando Bony igualou a partida o guarda-redes costa-marfinense não se conteve e foi direitinho à relva comer um grande tufo – yep! – enquanto toda a gente festejava. Mas eu reparei, Barry! Eu e o fotografo que te tirou uma das fotos mais épicas deste mundial ! Entretanto a Grécia começava novamente a correr atrás do prejuízo e eis que, mesmo ao cair do pano, Samaras vê uma bola centrada na sua direcção e tem naquele lance a derradeira oportunidade de qualificar a sua equipa. O pé esquerdo não vai de modas. Manda uma berlaitada no pé direito, o Samaras desequilibra-se, cai estatelado e o árbitro aponta para a marca de grande penalidade. Os africanos não queriam acreditar. Barry batia no peito e apontava para Samaris a provocar. Lança-se em vôo mas a bola entra direitinha no lado esquerdo da baliza de Barry. Um drama enorme, um final épico, uma qualificação caída do céu aos trambolhões! Enorme alma grega… Mas a Costa do Marfim não merecia isto. Ficou o Fyssas, o Machairidis, o Karagounis e o Katsouranis contentes para o Marc Zoro ficar tristinho…

MUNDIAL 2014 – Grupo B 3ª Jornada

 GRUPO B – 3ª Jornada
Austrália 0-3 Espanha – A despedida de David Villa. Um grande ponta de lança do futebol espanhol disse adeus com o calcanhar: bonita despedida, num campeonato do Mundo, com um golo destes. A campeã do Mundo despede-se do Brasil num jogo alegre contra a simpática Austrália. Mais uma vez a fórmula dos australianos foi a mesma, ligando Leckie e Oar à corrente eléctrica, Juanfran e Jordi Alba (que está numa forma deplorável) sofreram. Sem Cahill, a Austrália apostou em Taggart (nova contratação do despromovido Fulham para 2014/15) e o rapaz esteve escondido do jogo, não conseguindo participar o suficiente para causar o tipo de estragos que Cahill provocara nas outras partidas do grupo. Já Del Bosque, depois de ver a sua selecção eliminada, apostou finalmente em deixar Xabi sozinho na posição 6. Venceu mas voltou a não convencer. A Espanha foi ao campeonato do Mundo como quem vai ao shopping no Domingo à tarde. Chegou, bebeu café, viu as montras e não levou nada para casa. Um passeio descontraído. Uma desilusão.

Chile 0-2 Holanda – Arjen Robben. Se a FIFA fizesse um poster com os principais craques do Mundial 2014, este menino tinha que estar bem no centro. É que ele faz tudo. Ele corre, ele refila, ele faz faltas, ele pica-se com o adversário, ele assiste, ele resolve jogos! Este jogo basicamente decidia o próximo adversário do Brasil e ambas as selecções encararam o jogo com seriedade – Van Gaal até começou com bocas ao Scolari. O Chile entrou demolidor e não deixou a Holanda respirar. O domínio foi total e o Chile provavelmente merecia ter chegado ao intervalo em vantagem, tendo a Holanda limitado o seu jogo ao chutão para a frente e, com Van Persie suspenso, era fé no Robben e no Lens. O máximo que iam conseguindo eram umas faltas aqui e ali, acho até que não chegaram a fazer um único remate à baliza. A Holanda tinha Blind agarrado a Alexis Sanchez e tinha o resto do meio campo a tentar parar Aranguiz e Diaz. Quando perdia a bola o Chile partia para cima e sufocava os holandeses numa demonstração incrível de pujança física. Mas, na 2ª parte, tudo mudou. Van Gaal esperou pelo momento crucial, o momento de desespero chileno, para lançar Depay no jogo. Festival de contra-ataque, Robben com muito espaço para correr e pronto, resultado feito. Vitória interessante da Holanda que, no entanto, me parece que vai sofrer contra o México.

MUNDIAL 2014 – Grupo A 3ª Jornada

GRUPO A – 3ª Jornada

Brasil 4-1 Camarões – Mesmo tendo passado este grupo com uma perna atrás das costas o Brasil não me impressiona. Os Camarões deixaram uma boa imagem neste jogo, com uma abordagem ofensiva e a tentar jogar bonito. Os laterais Bedimo e Nyom saltaram para o 11 (o agressor Assou-Ekotto ficou de fora da convocatória) e deram profundidade à equipa assim como espaço para Neymar e Hulk explorarem com fartura. Na frente, o espectacular tridente Moukandjo, Aboubakar e Choupo-Moting tinham pulmão para pressionar na (muito previsível) fase de construção do escrete e ainda para planear fantásticas jogadas plenas de técnica e velocidade mas, por vezes, com pouco cérebro. Foi graças ao génio de Neymar que este grupo não se complicou para o Brasil. Já assim tinha sido contra a Croácia, neste jogo foi mais do mesmo e o menino já leva 4 golos e assume-se como principal figura da Copa. Quando faltar Neymar não sei a quem vai esta equipa recorrer. Já que Scolari insiste no 4-2-3-1, já deu para perceber que Paulinho e Luiz Gustavo formam a pior dupla possível dentro deste sistema. Fernandinho entrou eléctrico e até marcou um golo, mas conhecendo Scolari como conhecemos, já se está mesmo a ver que isto vai ser vira o disco e toca o mesmo até ao final.
Croácia 1-3 México – A melhor defesa é o ataque. Ao México bastava não perder mas em vez de adoptarem uma postura mais submissa e cínica o México preferiu agarrar o touro pelos cornos. Miguel Herrera, o treinador, não inventou e voltou a apostar exactamente no mesmo 11, um 3-5-2 extremamente bem trabalhado onde Layun é ligeiramente mais ofensivo pela esquerda do que Aguilar pela direita. A Croácia, precisando de vencer, avançou Rakitic no terreno e apostou em Vrsaljko a lateral esquerdo. O jogo foi muito repartido, com a Croácia talvez com mais posse e o México a travar uma batalha enorme a meio campo, com Herrera do Porto mais uma vez em destaque. O que me surpreendeu aqui foi a frescura física do México a partir da hora de jogo em contraste com a falta de pulmão dos croatas. Quando Kovac tira Vrsaljko para lançar Kovacic já a Croácia estava com a língua de fora e, percebendo isso, Miguel Herrera lança em campo Chicharito para o golpe de misericórdia. Em cheio. Resultou em pleno e o México chegou ao golo numa cabeçadazorra do Rafa Marquez, isto já depois de Srna ter feito a melhor defesa da partida num lance dentro da grande-área croata. A partir daí o México foi para cima da Croácia, marcando mais 2 golos que poderiam ter sido 4 ou 5. Justo o resultado e justa a qualificação. Grande México! A Croácia pagou pelo físico mas deixou algumas memórias de bom futebol.

MUNDIAL 2014 – Grupo H 2ª Jornada

GRUPO H – 2ª Jornada
Bélgica 1-0 Rússia – Marc Wilmots, antigo colega de Preud’Homme na mítica Bélgica 94, é esperto. Lê este blog e percebeu que há que cortar o mal pela raíz, ou seja, tirar do onze todos os meninos do Tottenham! Não poupou nenhum cepo e deu a titularidade ao Fellaini, Mertens e Vermaelen. Para dizer a verdade, a Bélgica não melhorou grande coisa desde o jogo com a Argélia e, tal como nesse jogo, voltou a decidir tudo na recta final da partida. Curioso o facto de ambos os treinadores terem mexido nas mesmas posições do 11: laterais (Kozlov/Vermaelen), médios centro (Faizulin/Fellaini) e extremos (Kannunikov/Mertens). Depois de uma hora enfadonha de futebol, foi Wilmots quem percebeu mais cedo que era urgente mexer na frente de ataque, ao contrário de Capello, que tardou em mexer enquanto a Rússia caía a pique fisicamente. Foi Origi, que tinha substituído Lukaku a meio da 2ª parte, que aproveitou para finalizar uma das várias oportunidades que a Bélgica teve no quarto de hora final, graças ao declínio da condição física dos russos. Valeu pelo final este jogo. 
Argélia 4-2 Coreia do Sul – Bem, eu não sou especialista em futebol coreano nem pouco mais ou menos, mas será que não havia lá na terrinha melhores centrais? Pelo menos centrais que soubessem falar coreano e que dissessem “olha, a esta bola vou eu, tu ficas aí para não escavarmos um buraco”. Esta dupla Jeong-Ho (suplente do Augsburgo) e Young-Gwon (pela minha pesquisa também não é titular no Guangzhou Evergrande) é hedionda. Já vi jogos do Pohang Steelers na Liga dos Campeões Asiáticos e não me pareceram assim tão patetas quanto estes defesas da selecção (estão nos 4ºs de Final da competição e tudo!). Mas também, contra o Slimani era preciso chamar o Thuram e o Cannavaro para travarem esta força da natureza. E que dizer do Halliche que escreveu o seu nome na história com uma cabeçada imparável para o 2-0? Bem, apesar da enxurrada de erros defensivos e de ataques inconsequentes dos coreanos, esta Argélia é uma agradável surpresa na competição. Pelo que fizeram contra a Bélgica e pelo que fizeram neste jogo merecem sem dúvida a qualificação. O jogo com a Rússia promete ser fantástico. Eu estou pela Argélia! Desculpa, Karyaka!