Viemos trazer-vos o futebol.

Lembram-se de quando eram putos naquelas tardes a mandar a bola contra a parede para depois a cabecear e marcar golo em balizas imaginárias? Lembram-se das tardes de chuva e da televisão em directo do José Gomes na Reboleira? Será que ainda se lembram do xadrez da manta da vossa avó e do sofá onde viram o jogo que trouxe Steve McManaman ao mundo pela boca de Gabriel Alves? Lembram-se do chapéu do Poborsky ao Baía quando ainda gostavam de jogos entre países? Lembram-se das cadernetas da Panini e dos tantos nomes que decoraram e que perduram na vossa mente até hoje? Valderrama? Ivanov? Salenko? Brolin? Julen Guerrero? Lembram-se de quando o futebol português nπo cheirava a azeite da Casa dos Segredos mas sim a azeite Galo de cruz ao peito, bigode e palito na boca? Lembram-se de quando os jogadores amavam os clubes? Lembram-se de quando o futebol da Europa de leste era um poço de magia em vez dum poço de corrupção? Lembram-se quando a Liga dos Campeões não tinha sempre os mesmos nos quartos-de-final? Lembram-se dos míticos gigantes de betão, do Peru até Milão, deslavados, crus, cheios de cores e de vida, ausentes de plástico e de tecnologias efémeras?

Enfim… éramos todos crianças ingénuas a acreditar que a bola só girava como o traço do pincel na tela do artista.

Hoje falaremos só do futebol português quando este o merecer – para o bem e para o mal. Hoje e sempre seremos um movimento vincadamente contra o futebol moderno. Procuraremos a magia nas ligas mais exóticas nos sete cantos do mundo, debaixo das pedras, por cima do gelo, nas montanhas, na selva, no deserto, em todo o lado.

Ai Vale Bujas?